Rui Werneck de Capistrano, um e-contista e muito mais

O e-conto Infausto negócio, um dos ganhadores do concurso promovido pela editora Ficções em parceria com a Gato Sabido, traz ironia e ceticismo como marca da curta trajetória descendente e infértil do seu personagem.

Para os leitores que sempre querem extrair o autor das entrelinhas, vejamos o que há de Rui naquele incerto personagem, mas veremos muito mais.

Numa conversa sem som, por anexos de e-mail, perguntei algumas coisas do escritor não iniciante que Werneck é e gostei demais do tom cru, direto e lúcido.  Ele só participa de concursos literários que dão prêmios em dinheiro. Esse é o critério. A expectativa é ganhar dinheiro, mesmo a possibilidade de publicação não é atrativo suficiente. Ciente e que  com a internet, os concursos viraram uma espécie de loteria – milhares de concorrentes no mais singelo concurso – e de que o resultado depende muito de quem vai julgar, pois tem jurado que ainda acha bom aquele conto tradicional, com começo, meio e fim, poema com linguagem enfeitada, romance meloso.

Rui venceu o Concurso Nacional de Contos do Paraná de 1988, e esperava que isso abrisse algumas portas, mas diz que não aconteceu nada de importante. O livro Máquina de Escrever foi mal editado e pessimamente distribuído, ele acabou comprando mais da metade da edição na livraria que o editou quando o livro entrou em liquidação. A tal livraria? Já fechou!

Mas mesmo assim Rui W. de Capistrano ainda acredita que os concursos tem valor, pois ao menos estimulam os escritores.

Pedi ao Rui para falar de suas publicações e ele revela já ter publicado uns dez livros, sempre de modo independente. Estão disponíveis, alguns em sebos e o resto, em pacotes na sua casa. Ele só vende via Correios e a única estratégia de divulgação que adota é o envio de e-mails e de alguns exemplares pra jornais. Geralmente sai alguma coisa. A estratégia mais bem suscedida que já utilizou foi na divulgação do livro-talão de cheques Bife Sujo & Cia. Eram tiras de quadrinhos – desenhadas por Neri da Rosa –anunciado numa revista nacional, o que rendeu centenas de pedidos e o esgotamento da edição.

A opinião de Rui sobre os livros eletrônicos é de que as pessoas não leem no monitor, há incontáveis blogues recheados de textos, mas o público faz o que ele chama de “consulta de médico do SUS” — a procura é por fofocas rápidas, vídeos e fotos. A análise do sitemeter lhe permitiu constatar a , hoje ele não mantém nenhum. Mas há o outro lado, segundo ele: a facilidade em publicar livro por conta própria. “Está fácil – tendo dinheiro – editar livro. O ego fica satisfeito e pronto — acabou-se a neura!”

Deu curiosidade? Entre em contato com o autor, pelo e-mail rwcapistrano@gmail.com, assim você pode descobrir como comprar seus livros e poderá receber os artigos que ele publica como colaborar de alguns sites muito bacanas. Visite sempre que puder o site do Cartunista Solda e o blogue do Lee Swain. Sempre tem novidades.

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Sobre mkalves

leio, escrevo, leio e leio, depois releio. saio e danço. escrevo. durmo. leio. mas não li ainda quase nada do que deveria e do que preciso. cozinho, brinco, rio, amo e leio. ouço música com atenção. rabisco meus livros. gosto de sol.
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