Com quantas palavras se conta uma história?

It’s extraordinary – says one woman.

It is extraordinary – says the other.

Lydia Davis 

Fico pensando no motivo pelo qual a brevidade impera na escrita publicada na internet. Será que é a demanda de leitores que, por falta de tempo ou paciência, não querem se dedicar à leituras um pouco mais extensas, ou será o desconforto da maioria em ler na tela do computador?  Será que com os e-readers, i-pads e etc isso vai mudar? E os autores? A suscitez é uma necessidade da ferramenta internet, ou uma necessidade estética? Ou será o que?  Entretanto, há autores que mesmo não envolvidos com o mundo virtual,  trabalham com narrativas muito curtas. Um exemplo é a escritora americana, tradutora e professora na Universidade de Albany, Lidia Davis. Ela é conhecida exatamente pela brevidade de seus contos e se interessa em criar narrativas da maneira mais essencial possível. Infelizmente, ela ainda não foi publicada aqui no Brasil. Me encanta a ideia de contar uma história com apenas algumas poucas frases. Inspirada por essa ideia me arrisquei nesse desafio. Eis o resultado:

Naquela tarde de verão a chuva caiu gorda, deixando encharcadas as bromélias e begônias do jardim. A violeta no vaso, espiava da janela e sonhava.

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Sobre Emilie

atriz, contadora de histórias, escritora, educadora e geminiana... ela acredita que é outro país...
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9 respostas para Com quantas palavras se conta uma história?

  1. mkalves disse:

    Acho que além da estética do essencial, há a questão de todas as velocidades que cresceram em nosso modo de viver. Desde a duração das viagens ao volume de ocupações novas que temos hoje em relação ao tempo de Dostoievski, por exemplo… isso certamente pesa na disponibilidade de tempo e no tamanho das ficções. Mas penso que essa não é a única razão. Penso na concisão também como movimento literário… ou será isso muito disparatado???

    • Emilie disse:

      Concordo contigo Maurem, a Lydia Davis é um ótimo exemplo disso. Não sei se movimento é o nome disso, mas entendo a “necessidade” destes autores. Como ela há outros muitos: Galeano e seu “Livro dos Abraços”, Cortázar e alguns contos de seu “Sobre Cronópios e Famas” são os que me vem a mente agora…

  2. mkalves disse:

    A propóstio… já havia comentado esse conto no teu blog, acho de uma poesia ímpar!
    beijo grande!

  3. Acredito que estamos aprendendo a lidar melhor com o universo da tecnologia, e isso inclui nos tornarmos leitores do que é publicado na internet ou está disponível para e-readers, com a mesma cadência que folheamos os nossos livros.
    Acho que é algo a mais, e que não está ligado, diretamente, ao tamanho de um texto. Obviamente, é muito mais fácil nos atermos a textos curtos quando publicados na internet, pois ainda não nos habituamos às longas leituras na tela do computador. O leitor para livros digitais nos dá essa sensação de livro na mão… Funcionará melhor.

    Gostei muito da sua história em poucas palavras.

    Carla.

  4. Emilie, ando a procura do essencial. Sejam palavras ou brigas. Creio que esse seja um movimento natural, quando percebemos tantos discursos e palavreados carentes de informação, estilo ou ideias. Bem, esse é o MEU movimento!

    Leio frequentemente um autor/jornalista brasileiro que movimenta-se nesse espaço de microcontos e sugiro a todos: José Rezende Jr. (http://www.joserezendejr.jor.br)

    Abraços fr.

  5. fsalvaterra disse:

    Emilie, já havia lido esse seu microconto por e-mail e não aproveitei para dizer o quanto o admiro. A sonoridade e o clima criado em torno dessa fotografia mágica dá vontade de beber dessa chuva. Parabéns.

  6. mkalves disse:

    Gente, baixei a dissertação do Marcelo Spalding, sobre mini e microcontos aqui.: http://www.veredas.art.br/
    Penso que pode nos interessar a todos.
    Abraços!

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