Que nos dispam da lógica

Fogos de artifício em noite de lua cheia. Brilhos se confundem. Mãos se confundem. Vozes se emaranham e fazem música. A latência do universo abaixo do firmamento – que são pernas estremecendo, embora resistam aos malabarismos de um amor barato e bailem crentes na penumbra do prazer. Não importa quão fatídico pareça viver da esmola do desejo. É preciso nutrir o corpo com a liberdade de gozar dos infortúnios para que haja (nem que seja num estalo) o valimento do delírio.
Areia nos pés em noite de lua mansa. Ritmo nos passos. Ecos da respiração que conta uma lenda sobre deusas e deuses e outras entidades. Estrelas anônimas suspensas em constelações, fazendo caretas galácticas para divertir o sol que se irrita e colore suas bochechas. É o grito do universo reverberando nas entranhas da terra morna. A bruxaria que entorna caldeirões de intensidade sobre a dormência que afeta os sentimentos mais oníricos. Eis as rugas do destino a demonstrarem certo cansaço. Eis que somos tudo e todos e ainda assim, há mistério.

Carla Dias

A estréia para a promoção é o conto de Carla Dias – Que nos dispam da lógica. Até o dia 21/02 este conto estará disponível para crítica. Boa sorte!!

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Sobre palavrasnovaso

Escritora, baterista e produtora de eventos.
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8 respostas para Que nos dispam da lógica

  1. Samuel Medina disse:

    Que nos vistam de essência, pois nada somos do que um sopro em uma concha: o barulho do mar…

  2. Carla, necessário nos desnudar da lógica para envolver-nos integralmente. Em teu conto, creio haver algo de muito místico, quando você descreve um momento de êxtase (necessário) em que não caberia essa nossa aclimatação civilizatória. Quando há uma sensação (ou consciência?) de que o Universo conspira a favor (algo, no extremo, egocêntrico). Agora, eu não poderia deixar de registrar que esse trecho é de uma lucidez lógica (paradoxo? ironia?) e prazer poético que já valeria um microconto: “Não importa quão fatídico pareça viver da esmola do desejo. É preciso nutrir o corpo com a liberdade de gozar dos infortúnios para que haja (nem que seja num estalo) o valimento do delírio.”

    Maravilhoso!

    Abs fraternais.

  3. celvc disse:

    Carla,

    Gosto muito do conto. Imagens bonitas, linguagem de sonoridade suave.
    Bela estréia para o nosso blog!
    Bjs!
    Celia Viana

  4. Dayvson Fabiano disse:

    Carlinha, amei teu texto. Adoro o mistério que ele possui. Fiquei imaginando o barulho dos fogos de artíficios e lembrei de algo em mim. Que texto familiar, putz!!! Querida, só sei que ele me tocou de um jeito…ufa! Parabéns!

  5. fsalvaterra disse:

    Belíssimo conto, Carla. Vontade de passear dentro desse texto. Fantástico.

  6. Werneck disse:

    Muito bom. Parabéns!

  7. Carla,

    Viajei muito, muito no seu conto. Quem, uma vez na vida, já não sentiu algo parecido no momento mais intenso da intimidade? Cheguei a ficar sem ar. Arrasou!

    Bjos.

  8. Samuel: Obrigada por ter lido e assimilado de forma tão poética o meu conto

    Marconi: Seu comentário quase deu um conto, o que achei muito bacana. Obrigada por ler e comentar.

    Celia: Obrigada por ler o conto e comentar. E especialmente por permitir que ele lhe revelasse imagens e sons.

    Dayvson: Obrigada pelas suas palavras. Fico feliz em saber que o meu texto o levou a imaginar, a ir além.

    Fernando: Obrigada pelo comentário. E pode passear dentro do texto… Ele é dos que acolhem.

    Werneck: Obrigada!

    Anna Christina: Sinta-se à vontade para viajar por aqui quando quiser. Beijos!

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